Com projeção de rombo recorde, governo estuda abrir o capital da estatal para o setor privado; plano de reestruturação prevê fechamento em massa de agências e demissões.
O Palácio do Planalto e o Ministério das Comunicações enfrentam hoje um dos seus maiores pesadelos fiscais: a situação financeira dos Correios. Ontem, 5 de fevereiro de 2026, o governo sinalizou que o modelo atual de gestão 100% pública pode estar com os dias contados. A busca por um “parceiro privado” tornou-se a única “luz no fim do túnel” para evitar que a empresa quebre definitivamente.
Os números são alarmantes e explicam a urgência da medida. A estatal vem acumulando resultados negativos sucessivos, o que obrigou o governo a contingenciar verbas de outros ministérios para compensar o déficit.
| Ano Fiscal | Resultado Líquido | Impacto Principal |
| 2024 | -R$ 2,6 bilhões | Queda nas receitas de encomendas. |
| 2025 | -R$ 6,0 bilhões | Gastos com pessoal e precatórios judiciais. |
| 2026 (Projeção) | -R$ 23,0 bilhões | Risco de insolvência total sem aporte. |
Para tentar atrair esse investidor privado, o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, detalhou um plano de “enxugamento” severo:
Redução de Agências: Fechamento de mil unidades (cerca de 20% do total) que não dão lucro.
Corte de Pessoal: Plano de Demissão Voluntária (PDV) para até 15 mil empregados.
Endividamento: Captação de empréstimos que já somam R$ 12 bilhões com bancos públicos e privados para manter a operação em 2026.
Diferente do governo anterior, a gestão atual resiste à venda total. O modelo favorito no momento é a transformação em uma sociedade de economia mista, similar ao Banco do Brasil e à Petrobras. Nesse formato, os Correios poderiam emitir ações na Bolsa, captar recursos privados para modernizar seus centros de distribuição e IA, mas manteriam a obrigatoriedade do Serviço Postal Universal (entrega em todos os municípios) sob controle da União.
Para o Parlamento Brasil, a discussão sobre os Correios será o grande teste da agenda de privatizações em 2026. A dúvida é se o setor privado aceitará ser “parceiro” de uma empresa com um passivo tão pesado ou se exigirá a venda completa para assumir o risco.
Fábio Macedo | Parlamento Brasil
Inscreva-se em nosso canal no youtube: https://www.youtube.com/@parlamentobrasilfc
Tags: noticias, politica, brasil, correios, privatização, economia, lula, ministério das comunicações, orçamento 2026